sábado, 19 de junho de 2010

MUITO PARA ENSINAR E APRENDER

Como a maioria das pessoas sabe, boa parte dos personagens de Mauricio de Souza são baseados em pessoas de sua família. E a turma do Chico Bento não é diferente. O que poucas pessoas sabem é que Chico Bento (cujo nome completo é Francisco Antonio Felício Bento) é inspirado em um tio-avô de Maurício, morador de Santa Branca, no Vale do Paraíba, São Paulo. Muitas das histórias das revistinhas de fato aconteceram na vida real e foram contadas pela avó de Mauricio (que também virou personagem dos quadrinhos, a vó Dita).
Chico Bento estreou em 1963, numa tirinha dos personagens Hiroshi e Zezinho (que passaram a ser chamados Hiro e Zé da Roça). A primeira revista própria foi lançada em 26 de agosto de 1982. Nesta época, o personagem havia gerado polêmica, já que a linguagem utilizada nas histórias, mostra que o protagonista é o típico caipira do interior. Muitos alegaram que "ela [revista do Chico Bento] ensina às crianças a falarem errado". Outros disseram que "a maneira dos personagens falar é puro preconceito"
No entanto, a maioria das pessoas entendeu que o objetivo é mostrar como aquele menino que mora na roça, fala errado, anda descalço, conversa com os animais e gosta da natureza tem muito a nos ensinar. Isso fica ainda mais evidente nas histórias com a participação do seu primo Zeca, que mora na cidade grande e vai passear no interior de vez m quando. Embora Zeca tenha acesso a computador e vídeo game, a conclusão da história sempre é que ele está perdendo muito por não desfrutar das mesmas coisas que o Chico.
Vivendo aventuras num sítio nas cercanias da Vila Abobrinha, no interior de São Paulo, Chico Bento é um dos personagens mais divertidos de Mauricio de Souza. Abaixo você pode conferir uma de suas histórias.



sexta-feira, 18 de junho de 2010

CALÇA LITERÁRIA (Carlos Drummond de Andrade)

É ASSÍDUO LEITOR de blusas, camisas, saias, calças estampadas. Não lhe escapa um exemplar novo. Parece desligado, e observa tudo. Segundo ele, as peças de indumentária, masculina e feminina, ostentando símbolos e nomes de universidades americanas, manchetes, páginas de jornal, retratos de Pelé e Jimi Hendrix, apelos ao amor que não à guerra, etc., há muito deixaram de ser originais. Constituem invólucros rotineiros de pessoas de qualquer idade. A gente estranha é uma camisa inteiramente nua de dizeres ou figuras, a roupa que não diz nada, só roupa. Hoje, lê-se mais nos tecidos do que nos livros, e não é ler apenas, é ver cinema e televisão, pois os corpos, ao se moverem, dinamizam as figuras estampadas. O que, de um modo ou de outro, contribui para a cultura de massas. Informa:
- Estou pensando em aproveitar esse material para fins especificamente didáticos. Através dele, ensinar Geografia, História, Matemática, Medicina de Urgência, Imposto de Renda, Ortografia Desmistificada, essas coisas. O indivíduo cobre-se e vai distribuindo ciência. Ou aprendendo. Vinte minutos no ônibus - que aula! Classes ao ar livre, na feira, na fila. Escola dinâmica.
- Você sozinho é um Mobral 1971.
- Ontem eu li uma calça comprida, de mulher, que à primeira vista não tinha nada de especial. Estava escrita como tantas outras. Mas o texto (não confundir com textura) me chamou a atenção. Geralmente, calças e blusas não são Iiterárias. Trazem notícias, anúncios, slogans, mas versos, ainda não tinha visto. Pois essa tinha poemas em português, de Camões ao Vinicius.
 -Tomou nota?
- Claro. Aliás, a usuária foi muito gentil. Percebendo que eu mirava a parte inferior do seu revestimento, gratificou-me com um sorriso que eu traduzi assim: "Pode mirar mais." E eu mirei. Aí, puxei da caneta, e ela sorriu outra vez, como quem diz: "Pode copiar também." Copiei.
- Tudo?
- Tudo, não. A dona da calça estava sentada na sala de espera do cinema. Só o que era visível. Depois se levantou, foi ao bebedouro, deu tempo para eu colher mais alguma coisa, no ir e vir. Não tive coragem de pedir-lhe que desse umas voltas. Você compreende: sou tímido.
- Estou vendo.
- Foi a primeira calça literária, totalmente poética, do meu conhecimento. Feita em São Paulo? Talvez. Caracteres pretos sobre fundo branco. Versos em todas as direções. De Bilac, de Cecília, de Bandeira, de Castro Alves, de Fernando Pessoa. Uma antologia, bicho. Sem ordem, naturalmente. Escuta aí: Onde vais à tardezinha, morena flor do sertão? O que eu adoro em ti é a vida. Aqui outrora retumbaram hinos. Oh abelha imaginativa! o que o desejo inventa ... Vou-me embora pra Pasárgada. Amor é fogo que arde sem se ver. Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho. No monte de amor andei, por ter de monteiro fama, sem tomar gamo nem gama. CIorindas e Belindas brincam no tempo das berlindas. Eu tenho amado tanto e não conheço o amor. Estrela Vésper do pastor errante. ’Tamos em pleno mar: dois infinitos ali se alteiam ...
- Beleza.
- Não é? Tem mais. Transforma-se o amador na coisa amada. Antônia, você parece uma lagarta listrada. Dona Janaína, rainha do mar, dai-me licença para eu também brincar no vosso reinado. Por que não nasci eu um simples vaga-Iume? Não queiras indagar do meu segredo. Mas que seja infinito enquanto dure. Cantando espalharei por toda parte. Tudo não escondido perde a graça. O cinantomo floresce em frente do teu postigo. Crisântemo divino aberto em meio da solidão ... Tinha uma pedra no meio do caminho.
- Isso já é prosa, amizade.
- É mesmo. Em todo caso, trata-se da primeira calça poética luso-brasileira. Os poetas que tratem de defender seus direitos autorais. A menos que considerem uma honra vestir de versos as mulheres.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

AS NOVAS AVENTURAS DE ALICE

Não surpreende que Alice no País das Maravilhas seja uma das histórias prediletas de Tim Burton, o diretor de Edward Mãos de Tesoura e A Fantástica Fábrica de Chocolate: Burton construiu toda uma carreira sobre as dores e frustrações causadas pelos sentimentos de inadequação - os de seus personagens e também os seus. Inadequação é sem dúvida um sentimento que a personagem principal da história de Lewis Carroll desfruta: Alice não consegue ficar à vontade nem no mundo que tem de habitar, nem no mundo criado por sua imaginação.

A nova adaptação do livro não decepciona nos efeitos visuais. A imaginação visual de Burton, sua maior assinatura e melhor recomendação, atinge aqui um pico febril. Cada cena é uma explosão de cores, mas elas freqüentemente adquirem tons góticos. O diretor se preocupou com cada pequeno detalhe que está em tela, que pode ser evidenciado, por exemplo, na precisa caracterização de cada personagem do longa.

Apesar disso, os fãs do livro notaram que alguns personagens foram adulterados sem que se identifique uma boa razão para tal: a Rainha de Copas, por exemplo, mantém sua personalidade, mas é chamada aqui de Rainha Vermelha, uma personagem bem diferente e que só existe em Através do Espelho, a seqüência de País das Maravilhas publicada em 1871. O motivo parece ser a necessidade de contrapô-Ia à meiga Rainha Branca, que no filme é sua irmã e rival - Vermelha (Helena Bonham Carter) usurpou o trono de Branca (Anne Hathaway), e Alice é quem vai ter de comandar as forças do bem em uma guerra para derrubar a tirana e seus asseclas maléficos. Forças do bem? Guerra? A certa altura, Alice no País das Maravilhas, ícone da literatura em favor do humor perturbado e sem sentido promulgado em uma era que se inebriara do racionalismo, sai de vez do seu curso e vira uma fantasia medieval com batalhas, espadas e armaduras. Vira, enfim, uma tentativa desanimada, sem alma nem convicção de emular sucessos da fantasia como O Senhor dos Anéis (em alguns momentos parece que Burton praticamente copiou uma seqüência inteira de “O Retorno do Rei”) e de animar o público em torno de um protagonista incumbido de uma missão messiânica.
 
Se há dois sintomas claros de que esta Alice passou por um processo de desnaturação, porém, eles estão, primeiro, na figura triste em que o originalmente insolente Chapeleiro Maluco se transformou: quando Johnny Depp está em cena, o filme transpira o que de fato gostaria de ser – mais uma história em que Depp assume o lugar de alter ego trágico do diretor. Ainda assim, é impossível não destacar o seu talento – Johnny Depp está mais uma vez espetacular, mostrando impressionante desenvoltura para personagens ímpares.

O segundo e mais grave sintoma está na alteração ostensiva da protagonista, de uma menina de 10 anos para uma jovem de 19, indignada com a idéia de ter de se casar com um aristocrata tolo. O diretor e a roteirista Linda Woolverton se jogam em uma outra armadilha: transformam enredo em uma história de superação e de celebração do Girl Power. Talvez por isso, a atriz Mia Wasikowska, que interpreta Alice, foi bastante criticada. No entanto, ela tem-se mostrado uma atriz de bom senso inato, capaz de fazer sempre a escolha mais sólida em cada situação em que é lançada. É provável que fosse uma excelente Alice - se algo de Alice houvesse restado nesta versão ao mesmo tempo tão maravilhosa e, ao mesmo tempo, tão tímida de Tím Burton.

Entretanto, quem robou a cena neste filme foi Helena Bonham Carter, divertidíssima como a carismática Rainha Vermelha, cuja tirania é justificada por sua carência afetiva. A cabeçuda rainha vermelha não estava apenas presente, mas tornou-se responsável por quase todas as cenas marcantessno filme, desde os momentos cômicos até os momentos decisivos na obra.

O elenco também conta com Anne Hathaway (“Idas e Vindas do Amor”), que aparece um pouco artificial, mas também agrada.

Apesar dos pontos fracos, Alice no País das Maravilhas é um bom filme, produzido por ótimos profissionais e vale a pena assistir.

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010)
Gênero: Fantasia
Duração: 108min
Origem: EUA
Estréia: EUA - 5 de março de 2010
Estréia: Brasil - 23 de abril de 2010
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton

Elenco
Mia Wasikowska (Alice Kingsley)
Johnny Depp (Chapeleiro Louco)
Matt Lucas (Tweedle-Dee e Tweedle-Dum)
Anne Hathaway (Rainha Branca)
Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha)
Crispin Glover (Valete de Copas)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O RETORNO DO REI

Nesta semana, durante a conferência da Ubisoft, foi anunciado o retorno do rei da música pop ao mundo dos games. O anúncio do título “Michael Jackson game”, ainda provisório, foi feito pelo presidente da Ubisoft, Yves Guillemot, durante conferência da empresa na Electronic Entertainment Expo (E3), na cidade de Los Angeles, nos EUA.

Guillemot afirmou que o game, ainda em estágio inicial de desenvolvimento, utilizará o novo acessório Kinect, que capta os movimentos dos jogadores do Xbox 360; o controle sensível a movimentos do PlayStation 3, o Move; e o Wii Remote, do Wii. Também estão previstas versões para os portáteis Nintendo DS e PSP.

O game ensinará os passos de dança de Jackson e levará os jogadores para reviver os principais momentos de sua carreira. Nas imagens divulgadas, cenas de videoclipes do músico apareciam em meio a personagens virtuais que dançavam a canção.

Esta é uma ótima noticia no mundo dos games, já que Michael Jackson até então não havia sido bem representado na décima arte. O principal game estrelado pelo cantor havia sido “Moonwalker”, um arcade lançado para os fliperamas, Mega Drive e Master System na década de 90.

terça-feira, 15 de junho de 2010

BRINCANDO DE FAZER ARTE

Nascido em Turim, com cerca de 56 anos, Marco Pece é um fotógrafo italiano fascinado pelas emoções despertadas pelas obras-primas da pintura e do cinema. Unindo essa fascinação com o seu brinquedo favorito na infância, o Lego, Pece se especializou em montar versões em Lego de clássicos de pintura e cinema. Ele já prestou homenagens a vários mestres usando os tijolos de Lego. Após longas horas "brincando", a obra final é uma fotografia fabulosa, cheia de detalhes perfeitos.
O amor pela arte é a principal característica de Marco Pece, que só reproduz as obras que ele realmente gosta. Respeitando muito a obra e seu autor, Pece revisita os clássicos com humor e originalidade.
Pece gosta de pensar que suas obras são um meio divertido de levar as pessoas à arte de grandes mestres. Abaixo você pode conferir alguns de seus trabalhos compará-los com as obras originais.